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2/15/2007

Submersão


Nem os pensamentos guardas, porque esses foram embora sem destino e, neste jogo, não há boomerangs. Puta de vida, quando o vazio que te preenche é já a mobília habitual que conheces bem. (...)
Tinhas que te ir embora, só porque tinha que ser. E eu fico aqui, ressacando na assombração das ilusões que passam nestas paredes, as mesmas, de sempre. Nas ruas por onde passo, vais brincando comigo, escapando-me do meu olhar. Já nem te percebo ou me percebo, quando a imaginação também me invade. Vou te procurando nos outros, porque o desejo de te rever é mais forte do que eu. Pensas em mim? Que se lixe a tua resposta. Fugiste e eu parti do lugar em que me deixaste. Mas levaste uma metade minha e isso faz falta como um raio. E ando aqui nas quedas, porque nestas voltas, a alma vai derretendo o corpo, enquanto tudo me foge. Espalho-me neste chão solto, mas vou fingindo que sou trapezista, só para parecer bem. Mas cá dentro, arde aquele espaço que me levaste, desnorteando os meus sentidos. (...)
É a puta da vida, quando o vazio que tens, nem sempre te pertence: - Tu já és o meu vazio.


Imagem: MACLEAN, Jane - Morning.