4/20/2007

Perdoem-me



.... mas só me apetece rir.


4/16/2007

Happy Birthday Miss Shhh!


Com anos a passar e outros a chegar, é tempo de se ganhar juízo. A Shhh está com a idade mas não está com aparência. Ainda bem! É sempre bom ouvir que nos dão 7/8 anos a menos do que aquilo que se tem.
Em tom de desabafo, este foi um dos melhores aniversários que tive. Que venham mais! ;)






4/09/2007

Bombordo


Se o sítio era de magia, as palavras valiam muito mais que isso. Rompiam paredes de aço e melosas, caíam dentro do ouvido a bombordo, lado do coração.
Muito mais do que olhares ou toques, traziam consigo a verdade de sentimentos semeados e colhidos pelo tempo contido, pois as melhores coisas vêm sempre do nada.
Seguiam no Oceano Atlântico, por entre abraços e palavras de amor, numa entrega quase absoluta ou inquestionável. A vontade, era aquela de percorrer a mesma rota juntos, ao sabor daquela brisa, salgada por fora mas doce por dentro. Seguir sempre.

Imagem: BUXTON, David - A Couple Sailing.

4/03/2007

Magic Land


Dizem que é uma terra mágica, onde os sentimentos brotam como fontes divinas. Soltam-se. Ouvi dizer, que é lá que o coração fica mais perto da boca sem nenhum elixir consumido. Foi lá também, que Colombo casou e viveu durante uns tempos. É um sítio dourado*...
Aproveito para informar, que este covil vai fechar durante uns dias. Eu vou para essas bandas onde magia paira no ar. Por aqui, vive-se.

*Entretanto, descubram por onde ando... ;)

3/26/2007

É isso aí...


Era quase uma certeza que ganhava corpo com passar do tempo, murmurado apenas por quem sente.
Sentavam-se frente a frente, emudecidos perante tamanha cumplicidade de um destino que os fez juntar.
Como que aprovados pelos olhos, faziam das juras, compromissos de entrega selados com a intenção de caminhar juntos, enquanto houvesse caminho por desbravar.
Chegavam sempre um ao outro, com mil histórias de beijos na ponta da língua e com mil sedes por saciar no lençol de água, que corria como o sangue nas suas próprias vidas.

E não se cansavam, não paravam de se olhar...

3/20/2007

Post-it Soul


Escondeu-se, num dos cantos da alma. Talvez se assustou com o turbilhão de pensamentos que tomavam conta de si. O que fazia não era bem aquilo que dizia, aliás, as palavras que lhe faltavam pronunciar, sabiam-lhe a pouco.
Imóvel, aguardava os passos da vida, enquanto o toque fugia-lhe das mãos e as palavras, essas, guardava-as só para si. Escrevia-as nas paredes d'alma do seu existir, para que nunca se esqueça delas num desses dias que há-de vir. Para que nunca lhe faltem, tal como, ela faltou numa dessas noites, em silêncios suspirados.
Imagem: Renoir - Young woman with a veil.

3/10/2007

Encontros & despedidas

"(...) Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
É assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
também é despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida .... (...)*

* Maria Rita - Encontros e despedidas.

Imagem: Bedford, Whitney - Encontros e despedidas.

3/06/2007

Inner scar


"True self is the part of us that does not change when circumstances do."



Imagem: Malevich, Kasimir - Black Circle.

3/02/2007

Encontros




Ela desce no elevador que vai dar à entrada do prédio. Ele espera-a pacientemente, como quem espera um fruto amadurecer. Os seus olhos brilham com a chegada prevista e, de certa forma, o que vê é melhor do que as visões imaginárias que ele teve durante o tempo de espera. Nasce qualquer coisa dentro de si, sempre que a vê. Derrete-se. Delicia-se...
- Paixão?

Imagem: Bluemner, Oscar Florianus - Red Building with Woman

Is that alright?



Os confrontos d’alma agitam os raciocínios. Vive-se com alguém na mente e tem-se alguém no outro lado da barreira, à nossa espera. No meio deste campo de batalha, ficam fios cruzados e linhas paralelas, de vivências a dois. Há uma falha por registar neste circuito:
- Corta-me esse fio, se puderes. Porque eu não consigo deitar fora o que me prende a ti.

Imagem: Mastroianni, Mark - Shadow and Strings

Navegar


Seguiste-me nessa rota traçada e perguntaste se me podias conhecer melhor. Sorrio a cada alerta que me envias, como um pedido de socorro a um barco naufragado.
Vou recebendo os sinais e envio outros, tal como um farol, para que me encontres e eu me encontre em ti. E com pequenas conquistas, vamos reduzindo o espaço do mar, que nos traz o mistério de encontrar um porto de abrigo, algures perdido por aí mas desejoso que cheguemos lá. Talvez iremos até lá. Talvez...

“Navegar é preciso,viver não é preciso”
Caetano Veloso


Imagem: MUZIS, Robert - Sonniger Tag

2/20/2007

Nowhere warm


Olhou para as malas e deixou-as ali, ao canto da cama. Debatia-se com as roupas, arquitectando o cenário e os encontros em lugares fictícios ou não. Afigurava os sorrisos e sentia o calor que lhe davam pela saudade sentida. Imaginou as pessoas tal como eram, quando as deixou na última vez. Gostava de as relembrar como foram, misturando-as num sentimento de ternura e profunda admiração. Continha na sua alma, aquelas imagens que a coloriam nos escapes do seu quotidiano real. Viajava com elas, pelo desejo de emoções felizes e reconfortantes. Ponderou aquela ideia de partida, afim de findar as saudades do mundo oposto ao seu.
Sabia que não podia voltar atrás, ainda que poderia fazer em relação ao espaço...
Deixou-se viajar, por dentro.

Imagem:Waterhouse, John William - Psyche Opening the Golden Box

2/15/2007

Submersão


Nem os pensamentos guardas, porque esses foram embora sem destino e, neste jogo, não há boomerangs. Puta de vida, quando o vazio que te preenche é já a mobília habitual que conheces bem. (...)
Tinhas que te ir embora, só porque tinha que ser. E eu fico aqui, ressacando na assombração das ilusões que passam nestas paredes, as mesmas, de sempre. Nas ruas por onde passo, vais brincando comigo, escapando-me do meu olhar. Já nem te percebo ou me percebo, quando a imaginação também me invade. Vou te procurando nos outros, porque o desejo de te rever é mais forte do que eu. Pensas em mim? Que se lixe a tua resposta. Fugiste e eu parti do lugar em que me deixaste. Mas levaste uma metade minha e isso faz falta como um raio. E ando aqui nas quedas, porque nestas voltas, a alma vai derretendo o corpo, enquanto tudo me foge. Espalho-me neste chão solto, mas vou fingindo que sou trapezista, só para parecer bem. Mas cá dentro, arde aquele espaço que me levaste, desnorteando os meus sentidos. (...)
É a puta da vida, quando o vazio que tens, nem sempre te pertence: - Tu já és o meu vazio.


Imagem: MACLEAN, Jane - Morning.

2/14/2007

Beauty in the breakdown



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes - "Ausência"



2/11/2007

"Paixão Turca"


A noite caía como um véu prateado sobre o fim do dia. Desta vez, resolveram entrar no mundo de sensações e sabores marroquinos, quentes com os ventos do deserto. Envolvidas naquele ambiente, dissonante da realidade habitual que confrontavam diariamente, falaram das suas vidas resumidamente. Finalmente, tinham arranjado espaço no tempo para poderem esvaziar a alma. A escolha foi difícil, mas optaram por um chá “Paixão Turca”, dando mais calor à conversa que nascia. A amizade já era de longa data, e riam-se das histórias antigas que cada uma passou. Da bagagem que levavam, encontravam-se estilhaços de tempos vividos, catalogados por tempos e títulos de bom ou menos bom. Estavam ali, risonhas até com as histórias tristes que vinham à memória. – Como tempo passa....- dizia uma delas.
Um pouco mais com os pés assentes na terra, definiam a situação actual das suas vidas, com sabedoria e lucidez.
Sendo sobreviventes, talvez de um destino, conseguiam tirar partido de todas as histórias vividas, tal como a letra da música que soava naquele ambiente exótico. Sabiam o que queriam e para onde queriam seguir. Iam aprendendo com os anos, as lições da vida...

“Sadness and happiness are two paths
To walk on one path, isn't right
Season changes,
Happiness comes,
Sadness goes” *
Imagem: Gassem - Ombre de femme.
* Tradução de "Mausam" - Nitin Sawhney.

2/07/2007

It has to end, to begin



Os pensamentos voam, como se fossem bolas de sabão. Livres.
Cá dentro, há um sopro de vida que me leva para um estado maior de clareza. Reconfortantes são os momentos vividos, passados entre as ruas da cidade que levam a redescobrir um sentimento de bem-estar.
Caminhei sem ser pelos passos, mas pela vontade de matar saudades, daquela emoção nostálgica vivida apenas noutro lugar. Afinal ainda é possível...
Renasci na cidade, que julgava ser somente vivida pelos forasteiros. Segui e sorrindo sozinha por essas ruas feitas com histórias, fui enchendo os pulmões com aquele ar frio de Inverno. Hoje, sou uma nova história e vou com pensamentos que voam como se fossem bolas de sabão...

2/04/2007

Linha traçada



Viajamos porque é necessário
enfrentarmos o desamparo dos dias,
ao mesmo tempo que procuramos
um lugar para descansar
e nele ansiarmos por um regresso.

(Al Berto)
Foto: Pedro Guimarães

2/02/2007

Riding Couple


Sabiam um de outro, em segredo. Passavam as noites contando com o dia seguinte, para se encontrarem no olhar um do outro. Viviam aquela paixão, como garotos um pouco entontecidos com a desordem de sentimentos que prosperava sem aviso. Sentavam-se na mesa, puxando conversa pública mas falavam paralelamente com os olhos. Apreciavam aquela conversa muda em código secreto que só ambos entendiam e podiam decifrar.
Os encontros iam-se moldando às pequenas brechas horárias, que o dia ou emprego destinavam – os seus 15 minutos. As mãos descontroladas, cediam aos impulsos do toque, em malabarismos ritmados que alimentavam o desejo de se conhecerem melhor. Sentados lado a lado e por baixo da mesa, as pernas também cediam àqueles deleites do espírito, fazendo-os pensar que ninguém notava.
Foram muitos os tais 15 minutos até à chegada daquele dia, em que assumiam disfarçadamente todos os toques, apanhando de surpresa os olhares alheios dos mais distraídos.
Queriam-se.
Querem-se.
Esse dia marcou-me. Revi-me naquela história e fui vivendo aqueles passos contigo na minha mente. Fomos crescendo em segredo para depois morrermos com o esmorecer dos dias. Na tua ausência, esqueci-me do teu olhar e o teu toque, perdi-o com o passar dos dias. Fomos os secretos daquela história, os tais que viviam 15 após 15 minutos. Os tais que viviam os momentos e que se encontravam nos olhares. Aqueles, que também se queriam, que se deram mas... que fugiram por medo.
Como eu ainda te quero...
Imagem: Kandinsky, Wassily - Riding Couple.

1/28/2007

Jardim Perdido

"Feel the warm further rise..."
Jardim
em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.
A verdura
das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.
A luz trazia
em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.
Mas cada
gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.

Sophia de Mello Breyner Andresen

1/23/2007

The space between us


Sentou-se à beira da janela e observou os carros que fluíam pelas veias da cidade. Absorvia o Sol da tarde que lhe amolecia os pensamentos, enquanto esperava que ele chegasse do trabalho. Aquela seria a nova paisagem que veria do seu novo lar, partilhado com quem mais queria. A sua vida saíra da rotina habitual, mas se calhar para melhor. Gostava de sentir aquele sentimento de um futuro indefinido, a saber a risco. Era um risco calculado, balanceou-se nessa ideia.
Sem ela dar por isso, ele já tinha chegado a casa e sentou-se no chão quente da varanda, junto dela. Olhares cúmplices renderam-se num beijo longo que lhes soube bem. Foi um beijo de saudade pelo tempo que estiveram ausentes. Esse beijo acalmou-a e fez – lhe ver que afinal, o risco era um sabor doce e acima de tudo, desejado pelos dois. Aconchegou-se nos braços dele, inalando o seu perfume e sentindo-se a mulher mais desejada do mundo. Talvez era o Sol que os aquecia naquela tarde de Inverno, ou talvez eram eles, o próprio Sol de Inverno que brilhava mais alto do que qualquer estação do ano. (...)
Ela acordou. Sentiu-se impotente perante a realidade que a engolia. É difícil agarrar um sonho, quando este se escapa por entre os dedos. Sobrava-lhe apenas as sensações num emaranhado de “se’s”, enquanto fechava e abria os seus olhos para a realidade que a fitava. Acordou de vez.